terça-feira, 15 de junho de 2010

PARA REFLETIR!




A BOLA QUE ROLA E A VIDA QUE CHORA!

Berço de grandes civilizações, a África foi vítima de um longo processo de devastação. Invadido no século XVI por caçadores de escravos a caça de mão de obra barata a ser vendido no “novo mundo”, o continente africano sofreu uma terrível sangria. Milhares de seus filhos foram arrancados de suas entranhas e, a bordo de navios negreiros, foram conduzidos a força para as Américas para trabalhar como escravos a serviço dos colonizadores.Com a descoberta de suas riquezas naturais e de suas jazidas de pedras preciosas, a África tornou-se meta da avidez das grandes potências européias desejosas de explorar todo seu patrimônio. Reunidos em Berlim (na Alemanha), em 1884, 12 países europeus, com interesses na África, lotearam entre si suas terras dando vida a um longo período de colonização que teve como conseqüência o enriquecimento dos europeus à custa do empobrecimento da África. Fome, miséria, endividamento, guerras fratricidas, destruição ambiental, desertificação, urbanização selvagem, violência... São as marcas deixadas pelos opressores e alguns dos desafios que a África enfrenta nestes últimos tempos, fazendo dela o continente mais sofrido do mundo.
Torço para que a Copa do Mundo seja uma oportunidade para dirigir um olhar de compaixão e de solidariedade para com povos africanos. A África está tentando se levantar, mas para isso precisa da solidariedade de todos. O mundo inteiro se concentra numa bola que rola pelos gramados de estádios modernos construídos em tempos recordes. Que loucura! Este mesmo mundo não é capaz de parar um segundo diante da dor de inteiros povos africanos que morrem de fome. Há gente disposta a patrocinar um torneio de futebol, mas não há pessoas e nações disponíveis para apadrinhar o fim da fome e da miséria. Nada contra a paixão pelo futebol, eu até gosto, mas precisa acelerar os tempos também para estancar os altos índices de mortalidade por fome e doenças que massacram os povos africanos e dos países tidos como de terceiro mundo. Os recursos arrumados para a festa do futebol e o ritmo acelerado com que foi aprontada a estrutura necessária para este grande evento, devem também aparecer na hora de encarar e resolver os desafios que assolam o continente africano. A força e a dignidade de um país ou de um continente não se medem pela capacidade de hospedar e organizar um evento deste porte, mas pela competência e a vontade política de garantir vida digna para todos seus habitantes. Isso sirva de lição também para o Brasil que se prepara para receber a próxima Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas de 2016. A que serve se projetar internacionalmente como uma grande potência, se milhões de pessoas continuam vivendo em condições desumanas? Não dá para maquiar a realidade. Está em jogo algo de muito mais importante do que a aparência ou um troféu prestigioso para levar para casa. Está em jogo a vida de milhões de pessoas. Antes de correr atrás de uma bola, é necessário correr atrás da VIDA de milhares de pessoas que morrem a cada segundo. Não dá para perder nem um minuto neste desafio pela vida. Os verdadeiros adversários são a fome, a miséria e a injustiça. Gol neles. O troféu é a felicidade para todos. E essa felicidade só é possível com DIGNIDADE HUMANA.
Que vença a nação que mais se comprometer com a construção de um mundo melhor.Força África. Estou torcendo por você! O povo brasileiro, orgulhoso de ter sangue africano em suas veias, não pode deixar de torcer pela mãe África que gerou mais de 50 por cento de seus filhos.
Com base no texto “África, Chegou sua hora!” do Padre Xavier .
Maria Eunete G. Tavares

Nenhum comentário:

Postar um comentário